Pesquisa de opinião (veja figura abaixo) realizada no âmbito da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (2010), de forma surpreendente, coloca mudanças climáticas como terceira área de maior interesse da população brasileira em ciência, logo a seguir agricultura, em segundo, e remédios e tecnologias médicas, em primeiro. Isto é consistente com pesquisas de opinião anteriores sobre mudanças climáticas, as quais colocam o brasileiro como um dos mais interessados e preocupados do mundo com relação ao tema.

Deste modo, é natural que a comunidade científica, parte que é da sociedade, tenha crescente e rapidamente se envolvido com o tema no Brasil. A participação brasileira na produção de novos conhecimentos sobre mudanças climáticas em periódicos indexados, entretanto, ainda está abaixo da média brasileira (de 2% em 2007), respondendo por aproximadamente 1,5% dos artigos em mudanças climáticas (período de referência de 2002-2007). Mas, mesmo este índice reflete um grande crescimento em relação ao quinquênio anterior (1997-2001), quando contribuir com somente 0,5%.

Em realidade, estes números refletem o relativamente recente desenvolvimento das ciências das mudanças ambientais globais no país. O grande interesse internacional sobre a Amazônia direcionou grande parte dos esforços desde a década de 80 para pesquisas naquela região. Até o final dos anos 90, normalmente as iniciativas de pesquisa partiam de grupos de fora do país, como, por exemplo, os experimentos micrometeorológicos, de química atmosférica, de interação biosfera-atmosfera, em parceria com a Grã-Bretanha e EUA. Estes experimentos do início dos anos 90 até meados dos anos 90, serviu de importante escola e oportunidade de realização de pesquisas de qualidade internacional. Isto permitiu o grande salto que foi a liderança no planejamento e implementação pelo Brasil do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), a partir de 1998, considerado o maior estudo científico realizado em área tropical do planeta e que serviu para a formação científica de mais de 250 mestrados e doutores brasileiros. O LBA gerou uma rede efetiva de colaborações científicas nacionais e internacionais.

Já nos anos 2000, o interesse por desenvolver pesquisas aplicadas que orientassem políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, fez surgir uma nova rede de pesquisas, o GEOMA, constituído de instituições brasileiras e com estreita colaboração com a rede do LBA. Ao mesmo tempo, estava em franco desenvolvimento no Estado de São Paulo uma rede de pesquisa voltada para estudos da biodiversidade--o programa BIOTA-FAPESP. Nos últimos três anos, a densidade de programas de pesquisa sobre mudanças climáticas atinge outro patamar, com a criação da Rede de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede CLIMA), do Programa FAPESP Mudanças Climáticas Globais e programas estaduais de pesquisas no Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Desta maneira, o INCT para Mudanças Climáticas é formado a partir destas redes de pesquisa anteriores, e dá prosseguimento a linhas de pesquisa destas redes e colabora diretamente com as atuais, como a Rede CLIMA e o Programa Fapesp Mudanças Climáticas, além de abrigar relevante esforço para a continuidade do LBA. Portanto, a geração de conhecimentos deste INCT deve ser encarada como continuação em sincronismo com pesquisas iniciadas por todos estes outros programas, onde ser vai buscar um nível maior de integração interdisciplinar entre os resultados das pesquisas.

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